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À Sétima é de Vez

Musings of a scientist wannabe, ou um blog pessoal que às vezes fala um bocadinho da vida de cientista.

À Sétima é de Vez

Musings of a scientist wannabe, ou um blog pessoal que às vezes fala um bocadinho da vida de cientista.

.adolescência, ou quando tentei reprimir a geek dentro de mim

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Blogs do Sapo, esta sou eu há 15 anos, mais mês menos mês. Esta sou eu, de pólo, t-shirt, relógio Swatch (que ainda existe, mas já não tem bracelete vermelha), um colar juntinho ao pescoço, uns brincos compridos, que não sei como não eram argolas, uns sapatos de vela que estão aqui escondidos, e os óculos de ver a segurar o cabelo. Eis a vossa aspirante a beta na adolescência, uma altura em que tentava ao máximo reprimir o meu lado geek (passando pela indumentária, obviamente), uma altura que o escrutínio e validação por parte dos pares era como que um equilíbrio deslocado para o lado beto da reacção.

 

Na altura o máximo de cromice geek Sci-Fi (quase, cof cof) que era tolerável entre os meus pares betos era a saga Harry Potter (os filmes estavam a começar a sair). Qualquer coisa para os lados de Buffy, The Vampire Slayer, Roswell (a primeira série Sci-Fi que segui a sério, em segredo, sem contar com as tardes das férias de Verão a ver Star Trek: The Next Generation aos 13,14 anos), Star Wars, The Lord of The Rings (já vos disse que estou a ler o Hobbit pela primeira vez? Uma vergonha, eu sei!) ou qualquer interesse em séries de anime ou jogos como Magic The Gathering ou Shogun Total War era visto com extrema desconfiança pelos meus pares; nessa altura a música que se ouvia era Mafalda Veiga (não desgosto, atenção), os livros que se liam eram da Margarida Rebelo Pinto (shaaaaameeee) e as séries que se viam na TV cingiam-se às populares Ally McBeal (dêem o desconto de tempo para passar em PT) ou o Dawson's Creek (idem) ou os recém estreados Morangos com Açúcar (hellllppp!).

 

Tive, portanto, uma adolescência em que me esforcei por esconder o melhor que pude este meu lado geek que tanto gosta do Sci-Fi, da literatura fantástica, dos heróis da Marvel ou dos jogos de computador cromos. Ainda me lembro do colega (geek assumidíssimo) que, no meu jantar de 16º aniversário, me ofereceu "A Irmandade do Anel", pouco tempo depois do filme ter estreado, um presente que foi olhado sem interesse até com alguma estranheza pelas minhas amigas na altura. No jantar, em público, agradeci e em frente às amigas desvalorizei porque não era Margarida Rebelo Pinto... mas a verdade é que adorei o presente, já tinha ido ver o filme, li o livro assim que o recebi e no Natal seguinte completei a Trilogia do Senhor dos Anéis (que costumo reler com frequência - gosto sempre de fazer visitas à Terra Média). Estava uma geek no armário e assim continuei durante uns anos, sempre a sofrer o escrutínio dos pares para que o equilíbrio da reacção pendesse sempre mais para o lado do beto. No início dos anos 2000 não era fixe ser uma miúda croma e geek.

Foram precisos uns anos, a ida para uma faculdade cheia de gente geek e croma (olá ciências e tecnologias), a convivência com pessoas diferentes que eram geeks assumidos ou, como eu, geeks no armário, para que eu pudesse abraçar finalmente a minha cromice. Aceitei finalmente que não dava para beta.

Sou uma miúda agora trintona geek, croma, que TAMBÉM gosta de Sci-fi, fantasia, space operas (hello Star Wars), que gosta de ler e ver histórias com dragões (A Song of Ice and Fire *wink wink*), que vê séries de TV que se enquadram nesses géneros (ainda estou de coração partido com aquele final de Lost), o mesmo para séries da Netflix (um dia venho falar delas), e que quer ganhar coragem e tempo para começar a ver Naruto (com Rurouni Kenshin sempre no coração).

O que tenho mesmo pena é que que nos idos de 2000 ser uma miúda geek não fosse tão normal e aceite como o é agora, tive sempre medo de me sentir uma outsider se me catalogasse abertamente como tal. Mas adiante, cheguei aos vinte e qualquer coisa e abracei a minha cromice, e aos 30-e-quase-dois não tenho vergonha nenhuma de o assumir.

E agora com licença, que vou só ali ver o último filme do Marvel Cinema Universe. Sem remorsos.

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