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À Sétima é de Vez

Musings of a scientist wannabe, ou um blog pessoal que às vezes fala um bocadinho da vida de cientista.

À Sétima é de Vez

Musings of a scientist wannabe, ou um blog pessoal que às vezes fala um bocadinho da vida de cientista.

.podem fechar a internet #2

Parece que o Facebook censurou uma fotografia da Vénus de Willendorf, um dos artefactos mais antigos de representação da forma humana e que tem aí coisa de 30 000 anos.

Aparentemente considerou-a pornográfica (!), o que explica muita coisa sobre o comportamento alterado dos pré-adolescentes do sexo masculino de 12 anos, despertanto para a sexualidade nas páginas dos livros de História com base numa peça de arte do Paleolítico.

.adolescência, ou quando tentei reprimir a geek dentro de mim

001 (3).jpg

Blogs do Sapo, esta sou eu há 15 anos, mais mês menos mês. Esta sou eu, de pólo, t-shirt, relógio Swatch (que ainda existe, mas já não tem bracelete vermelha), um colar juntinho ao pescoço, uns brincos compridos, que não sei como não eram argolas, uns sapatos de vela que estão aqui escondidos, e os óculos de ver a segurar o cabelo. Eis a vossa aspirante a beta na adolescência, uma altura em que tentava ao máximo reprimir o meu lado geek (passando pela indumentária, obviamente), uma altura que o escrutínio e validação por parte dos pares era como que um equilíbrio deslocado para o lado beto da reacção.

 

Na altura o máximo de cromice geek Sci-Fi (quase, cof cof) que era tolerável entre os meus pares betos era a saga Harry Potter (os filmes estavam a começar a sair). Qualquer coisa para os lados de Buffy, The Vampire Slayer, Roswell (a primeira série Sci-Fi que segui a sério, em segredo, sem contar com as tardes das férias de Verão a ver Star Trek: The Next Generation aos 13,14 anos), Star Wars, The Lord of The Rings (já vos disse que estou a ler o Hobbit pela primeira vez? Uma vergonha, eu sei!) ou qualquer interesse em séries de anime ou jogos como Magic The Gathering ou Shogun Total War era visto com extrema desconfiança pelos meus pares; nessa altura a música que se ouvia era Mafalda Veiga (não desgosto, atenção), os livros que se liam eram da Margarida Rebelo Pinto (shaaaaameeee) e as séries que se viam na TV cingiam-se às populares Ally McBeal (dêem o desconto de tempo para passar em PT) ou o Dawson's Creek (idem) ou os recém estreados Morangos com Açúcar (hellllppp!).

 

Tive, portanto, uma adolescência em que me esforcei por esconder o melhor que pude este meu lado geek que tanto gosta do Sci-Fi, da literatura fantástica, dos heróis da Marvel ou dos jogos de computador cromos. Ainda me lembro do colega (geek assumidíssimo) que, no meu jantar de 16º aniversário, me ofereceu "A Irmandade do Anel", pouco tempo depois do filme ter estreado, um presente que foi olhado sem interesse até com alguma estranheza pelas minhas amigas na altura. No jantar, em público, agradeci e em frente às amigas desvalorizei porque não era Margarida Rebelo Pinto... mas a verdade é que adorei o presente, já tinha ido ver o filme, li o livro assim que o recebi e no Natal seguinte completei a Trilogia do Senhor dos Anéis (que costumo reler com frequência - gosto sempre de fazer visitas à Terra Média). Estava uma geek no armário e assim continuei durante uns anos, sempre a sofrer o escrutínio dos pares para que o equilíbrio da reacção pendesse sempre mais para o lado do beto. No início dos anos 2000 não era fixe ser uma miúda croma e geek.

Foram precisos uns anos, a ida para uma faculdade cheia de gente geek e croma (olá ciências e tecnologias), a convivência com pessoas diferentes que eram geeks assumidos ou, como eu, geeks no armário, para que eu pudesse abraçar finalmente a minha cromice. Aceitei finalmente que não dava para beta.

Sou uma miúda agora trintona geek, croma, que TAMBÉM gosta de Sci-fi, fantasia, space operas (hello Star Wars), que gosta de ler e ver histórias com dragões (A Song of Ice and Fire *wink wink*), que vê séries de TV que se enquadram nesses géneros (ainda estou de coração partido com aquele final de Lost), o mesmo para séries da Netflix (um dia venho falar delas), e que quer ganhar coragem e tempo para começar a ver Naruto (com Rurouni Kenshin sempre no coração).

O que tenho mesmo pena é que que nos idos de 2000 ser uma miúda geek não fosse tão normal e aceite como o é agora, tive sempre medo de me sentir uma outsider se me catalogasse abertamente como tal. Mas adiante, cheguei aos vinte e qualquer coisa e abracei a minha cromice, e aos 30-e-quase-dois não tenho vergonha nenhuma de o assumir.

E agora com licença, que vou só ali ver o último filme do Marvel Cinema Universe. Sem remorsos.

.*zip zip*

IMG_20180217_180530_734.jpg

 Já não é a primeira vez que o meu cabelo vai à tesoura e fica deste tamanho. Mas desta vez las chicas poderão ter dado um empurrãozinho: 

391827.jpg

 

 

.the road to the 2018 Oscars

2018 Oscar nominations Best Picture:

 

“Call Me by Your Name”


“Darkest Hour”


Dunkirk


“Get Out”


“Lady Bird”

 

“Phantom Thread”


“The Post”


“The Shape of Water”

 

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

 

Parece-me que este ano vou ter que começar a acelerar o passo

.small details

Às vezes a diferença entre ter 31 e 23 anos é muito ténue.

 

Às vezes os ensaios correm pior que mal e sais à hora a que, como pessoa idosa que és, te devias estar a deitar. Mas ao menos a  apresentação para o departamento foi fofinha e já não tens que esperar pelo barco. Agora só tens que apanhar o comboio dos subúrbios.

 

Hei-de ter aprendido qualquer coisinha nestes anos, caraças.   

.randomness #15

Pergunto-me se há algo de errado comigo quando vejo pessoas vestidas de forma casual, mas ainda assim impecavelmente maquilhadas,  no shuttle do aeroporto às 6h da manhã, enquanto eu levo em cima um duche de 5 minutos, óculos e cabelo apanhado, completando o OOTD com olheiras mais fundas que o habitual. 

.neva na Île-de-France

E é tudo muito lindo, tudo muito branco e imaculado, mas o bordel começa na altura de ir para casa ou ir para o trabalho.

Nesses momentos tens 739 km de fila nos acessos à cidade, comboios atrasados ou suprimidos ("on va tous crever!") a juntar já às estações de metro e comboio que estão fechadas por causa da subida do nível das águas do Sena, plataformas das estações completamente geladas e passeios onde se faz das figuras mais ridículas alguma vez vistas para não escorregar e cair(*cof cof*).

Mas depois no meio disto tudo, há quem aproveite a neve fresca e fofa para os desportos de Inverno:

 

 © ALAIN JOCARD / AFP

 

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