Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

À Sétima é de Vez

Musings of a scientist wannabe, ou um blog pessoal que às vezes fala um bocadinho da vida de cientista.

À Sétima é de Vez

Musings of a scientist wannabe, ou um blog pessoal que às vezes fala um bocadinho da vida de cientista.

.partir #2

Indo trabalhar para um Instituto pertencente ao CNRS na região de Paris-Saclay, não tive grandes dores de cabeça com aspectos logísticos, especificamente com o alojamento.

Acontece que na região do pólo científico existe uma organização, a Science Accueil, que ajuda estudantes de PhD, post-docs (eu!) e investigadores estrangeiros a acomodarem-se na região. Essa ajuda compreende ajudar a encontrar alojamento, facilidade na abertura de conta no banco (uma pesquisa rápida no Google disse-me que uma verdadeira pain in the a$$), ajuda para conseguir seguro de saúde, seguro de casa, escola para crianças... no cômputo geral parece-me funcionar bem, já que foi através da listagem da Science Accueil que consegui o meu T0 de 24 metros quadrados a dez minutos a pé do I2BC.

Basicamente a pessoa inscreve-se na plataforma, tem que indicar uma série de dados oficiais, tal como nome do laboratório e contacto do responsável do mesmo, ordenado mensal, entre outros, e seleccionar para quê é que precisa de ajuda. No meu caso específico pedi ajuda para casa e abertura de conta no banco. O primeiro ponto já foi tratado -  associação tem uma listagem de proprietários com fotos (a maioria) e a localização exacta do imóvel, bem como outras indicações úteis acerca da casa, e funciona depois como intermediário. O contacto foi iniciado por mim e tratei de tudo com os senhorios via email ou telefone (preferia que tivesse sido só por email porque o inglês deles falado metia medo ao susto - é para me ir habituando), e depois de tudo combinado tive só que informar a Science Accueil que já tinha a minha situação resolvida.

A minha estadia no fantástico T0 de 24m2 começa bem, já que no dia em que eu chego a Orly os meus senhorios partem de viagem durante 3 semanas. Colocou-se o problema da chave: como é que eles ma iriam entregar? Deixando debaixo do tapete? Enviando-a por correio par Portugal? Com um vizinho? Não! Metendo o meu futuro chefe ao barulho, pois claro. Sugeriram os meus senhorios que o meu futuro chefe combinasse com eles e fosse lá a casa ver o apartamento (errr... um bocadinho abusados, não?) e ficasse fiel depositário da chave. Expus a minha situação ao meu futuro chefe, mas omiti a parte em que os senhorios queriam que ele lá fosse - achei que era um abuso, afinal o problema era meu, não tinha que arrastar o homem para os meus assuntos com os senhorios. Perguntei só se havia a possibilidade de os senhorios deixarem a chave no laboratório e ficávamos assim. Para meu grande espanto, o meu futuro chefe ofereceu-se para ir a casa dos meus senhorios buscar a chave e ficar com ela no laboratório até eu chegar no dia 30.

Ena pá, acho que tenho um chefe ponderado, amável e boa pessoa. É melhor não dizer isso alto. Pode dar azar.

.partir

Há uns dias alguém me dizia: "mas vai agora assim de repente para França? Como é que é isso??".

Na verdade não foi de repente - é algo que já anda a ser pensado desde Março. Quando surgiu a oportunidade de me candidatar o assunto foi discutido com pessoa com quem divido a minha vida, com os meus pais e com duas ou três pessoas importantes para mim e que não pertencem ao meu núcleo familiar, por esta ordem.

Em Março ainda a minha tese de doutoramento estava por corrigir e entregar e não fazia ideia de quando iria ser o D-Day. Muita tinta podia ainda correr e durante algum tempo mantive a informação restrita a um pequeno círculo de pessoas. Quando entreguei a tese e enquando esperava pela marcação da defesa contei a mais algumas. Nas vésperas da minha defesa de doutoramento, e depois de já me ter reunido com o futuro chefe pessoalmente, já o gato estava fora do saco*. Não houve outro assunto para escrever no meu postal de felicitações, recebi Uma Aventura alusiva à ida e foi o tema geral do lanche que se seguiu à defesa.

As férias durante o mês de Agosto têm o mote não-oficial de despedida, são aproveitar o sol, a praia, as  minhas gatas, as actividades e as pessoas que vou deixar de ver todos os dias. Faltam duas semanas e meia, mais coisa menos coisa, e se às vezes parece que o dia da ida está já aí à porta, outras vezes parece que ainda tenho muito tempo pela frente.

Não fiz ainda a lista do que quero levar nem comecei a colocar coisas de parte para meter na mala nova de 100 L. Nunca tinha tido uma mala tão grande, nem para férias. Parece-me enorme e simultaneamente minúscula para lá encafuar tanto pertence. Sei que quando der conta estou no Aeroporto para embarcar e não vai ser para uns dias de sightseeing numa qualquer cidade europeia, vou deixar o que conheço e a minha zona de conforto para trás, para desembarcar duas horas depois num país diferente, que vai ser a minha nova casa pelo menos nos próximos dois anos.

Tento não pensar muito no momento da partida, porque inerentemente penso nas pessoas que cá deixo e o coração aperta-se-me um bocadinho (mentira, é um bocadão). O problema é fundamentalmente esse: as pessoas que cá deixo. Eu já fui uma pessoa que foi "deixada", sei como as coisas funcionam. Quem parte vai de coração ansioso, quem é "deixado"também perde um bocadinho do coração, mas a verdade é que a vida continua mais ou menos igual, ou com uma ligeira alteração de rotina. Quem vai começa tudo de novo, novo país, nova língua, novas horários, novas pessoas, novas rotinas. E a saudade vai apertar, mas vai ter que esperar pelo Skype ou pela resposta no Whatsapp ou no Facebook Messenger, suspensa, para não interferir com a rotina do outro lado. 

*Letting the cat out of the bag

...

Panquecas Americanas McKennedy do Lidl 0 - 15 Panquecas Americanas a partir de uma receita que encontrei na net.
O verdadeiro quinze a zero!

...

Às vezes tenho saudades de vestir um fato de banho, meter o cabelo numa touca, inspirar o ar abafado e o cheiro a cloro do recinto da piscina e sentir o arrepio de frio ao entrar na água.



 


Sim, gosto de ver as provas de natação, de apreciar a técnica e de me lembrar que eu também gostava muito de nadar*.




*quase tanto como gosto de Body Jam

.reflexões de meia-noite...

... era um pau em brasa pelo ânus acima de quem anda a atear fogos no nosso país. Património natural, cultural, pessoas sem casas, animais que não têm por onde fugir...

A nossa logística de prevenção claramente não funciona como devia, temos poucos homens que nesta altura já estão esgotados e temos sempre acéfalos que andam a atear fogos todo o santo dia. Quando é que isto vai parar?

...

A maior dor de cabeça por causa de me tornar avec não é por causa do alojamento, abertura de conta no banco ou por ter conhecimentos rudimentares de francês - é mesmo perceber como raio é que vou levar o mono para França.

 

Se alguém cá vier parar por causa das palavras chave Bimby, estrangeiro, França, transporte, e tiver uma sugestão que não me leve couro e cabelo fico muito agradecida que me deixe a mesma nos comentários!

...

Às vezes estou em pulguinhas para voltar a ser cientista e a adrenalina de começar num sítio novo sobe por mim acima.
Outras vezes penso no que raio me passou pela cabeça para deixar as minhas gatas, o meu namorado, a minha família, os meus amigos e rumar para um país onde não conheço ninguém, não falo a língua (Bonjour e palavras soltas não contam), para ir trabalhar num projecto bastante diferente daquilo a que estou habituada.

Mais sobre mim

foto do autor

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

.os últimos dez

A Discovery of Witches
O Meu Irmão
História do Novo Nome
World Without End
World Without End
The Handmaid's Tale
Outlander 4 - Tambores de Outono
A Viajante
A Libélula Presa no Âmbar
If This Is a Man


Lia's favorite books »